segunda-feira, 21 de outubro de 2013

INVENTOS DO PADRE ROBERTO LANDELL DE MOURA

Caros amigos e colegas:
O Padre-cientista Roberto Landell de Moura inventou vários aparelhos para a transmissão da telefonia sem fios. Os nomes dos aparelhos eram muito interessantes. Lembram? Telephoro, em 1899; Telauxiofono, Caleofono, Anematofono, Teletiton e Edifono, em 1900; Tellogostomo e Telauxiophone, 1901; e Transmissor de Ondas, Telefone sem fio e Telégrafo sem fio, em 1904. Também projetou a transmissão da imagem à distância, que deu o nome de The Telephotorama, em 1904 e, que depois, em 31 de agosto de 1913, já dera o nome de Televisão.
Hoje vamos lembrar o primeiro invento do nosso ilustre Padre-cientista, o Telephoro. Na verdade o Telephoro era um invento composto de dois aparelhos, um transmissor e um receptor. Aqui está o registro do pioneirismo do nosso inventor. Salvo melhor juízo, como pesquisador, este foi o primeiro registro dos inventos do nosso cientista, a primeira documentação pela imprensa dos feitos do nosso ilustre brasileiro.
O Jornal do Commercio, do dia 14 de junho de 1899, na capa, fez este registro e, os aparelhos eram como o desenho original do Padre Roberto Landell de Moura que estou anexando também.
Este material é do acervo do Memorial Landell de Moura.
Boa leitura e belas conclusões.
Por hoje fico por aqui.
Forte abraço.
Ivan Dorneles Rodrigues – PY3IDR
Jornal do Commercio – 14.06.1899 – Página 1
O TELÉFORO
O “Diário Hespanhol”, depois de várias considerações sobre o telégrafo sem fio e de citar diversas experiências com feliz resultado, diz o seguinte em artigo sob o título supra:
“Enquanto essas colossais conquistas têm lugar no velho mundo, vejamos as que na mesma ordem de progressos alcançam os preclaros talentos americanos, filhos deste fecundíssimo Brasil. O Rev. Padre R. Landel tem a mesma linha máxima de partida que os inventores europeus, mas difere quanto aos aparelhos de emissão recepção e outros agentes que entram por muito na facilidade de construção e funcionamento dos seus diferentes mecanismos. O Padre Landell já conseguiu transmitir a palavra a uma distância maior de sete mil metros, servindo-se do éter, das correntes telúricas e do ar eletrizado; o aparelho transmissor, porém, colocado no ponto de partida, como o receptor no ponto de chegada, são, repetimos, inteiramente distintos dos das invenções européias, e mais, não emprega tubos de cristal, nem limaduras metálicas de espécie alguma em seu maravilhoso trabalho.
Os mecanismos de que usa recolhem a voz e lançam através do espaço em uma direção determinada, seguindo invariavelmente o caminho mais curto que medeia entre o transmissor e receptor, isto é, uma linha inteiramente reta, seja qual for o estado atmosférico no instante em que se verifica a transmissão. Nas diversas experiências executadas recentemente notou o inteligente inventor, que a zona que à mercê das vibrações do éter percorre o som articulado, se vai alargando à medida que se aproxima do receptor, de modo que, colocando-se vários desses receptores dentro do mesmo campo de recepção, alguns metros separados uns dos outros, todos eles recebem ao mesmo tempo com a mesma clareza a palavra transmitida. Deste resultado, que se saiba, não o obteve sábio algum, nem no velho nem no novo mundo, cabe ao padre Landell toda a glória da invenção.
Para tal alcançar não se pense que o infatigável homem de ciência foi de um salto, há muitos anos que faz experiências e estuda metodicamente, entregando-se inteiramente à construção do triunfo que acaba de conseguir, sujeito por certo às leis da mais esquisita precisão, das quais fez nascer o seu pequeno aparelho transmissor e o seu pequeníssimo receptor. Como trabalho, um e outro são notáveis, como se compreenderá do seguinte: Colocado o aparelho transmissor em um compartimento qualquer junto a uma janela aberta, em frente da qual e a seis ou sete mil metros de distância esteja colocado ao ar livre o receptor, poderão falar duas pessoas como se estivessem a um metro de distância uma da outra. Como se explica essa surpreendente operação? Eis o que diz o inventor:
‘ O aparelho transmissor recolhe a palavra pronunciada com toda a naturalidade. Em virtude da especialidade de sua construção, imprime-lhe a força suficiente para que o fluído etérico, que constantemente invade o dito aparelho e que está unido por invisível e elástica cadeia com o receptor posto a seis ou sete mil milhas a distância, de vibração em vibração, aumentando estas de poder e de rapidez à proporção que a palavra ou o som se afastam do ponto de partida, transpõe-se a referida distância com a ligeireza do pensamento, isto é, o éter serve no caso presente da mesma forma que antes servia o fio de metal, como condutor da linguagem telegráfica, com esta diferença, o fio metálico aprisiona a eletricidade dentro de uma zona limitada a seu próprio diâmetro na trajetória que percorre, entretanto que a onda sonora ou a palavra transmitida, servindo-lhes de veículo condutor o éter, as correntes telúricas e o ar eletrizado, ao passar do transmissor ao receptor, estabelece em redor da reta invisível, em que se apóia um campo largo em ativa vibração, cujas dimensões aumentam, como antes dissemos, à medida que se vai aproximando do plano de recepção.”

 Ivan Dorneles Rodrigues – PY3IDR

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